Livro: A Ontologia de Lukács
Autor: Sérgio Lessa
Obs.: Este fichamento foi produzido com o objetivo de condensar a discussão do grupo acerca do capítulo do livro. Desdobra-se, em parte, como um comentário do texto original, sendo, porém, predominantemente um resumo. Sua leitura pode auxiliar na identificação das passagens mais importantes do capítulo o que a torna interessante como introdução ou revisão do texto original cuja leitura é altamente recomendável.
Autor: Sérgio Lessa
Obs.: Este fichamento foi produzido com o objetivo de condensar a discussão do grupo acerca do capítulo do livro. Desdobra-se, em parte, como um comentário do texto original, sendo, porém, predominantemente um resumo. Sua leitura pode auxiliar na identificação das passagens mais importantes do capítulo o que a torna interessante como introdução ou revisão do texto original cuja leitura é altamente recomendável.
Reprodução Social
O que distingue, ontologicamente, a esfera biológica, da esfera social é o fato de que o momento predominante desta, qual seja, a reprodução do novo, tem por médium necessário, a consciência. Esta permite ao ser social o reconhecimento de sua própria história e a sua elevação ao seu ser-para-si.
A consciência joga, assim, papel fundamental na construção da realidade social. A maior ou menor consciência, por parte do ser social, do seu em-si, modifica qualitativamente o seu agir. Assim, o papel da categoria da subjetividade inicia-se, para a formação do mundo humano, a partir da prévia-ideação indispensável ao trabalho. Contudo, esta não é de longe, sua participação final na construção da totalidade social. A sua atuação continua na constante e necessária distinção entre indivíduo e generalidade.
A esfera biológica pauta sua interação com o ambiente a partir de respostas estreitamente limitadas pelas barreiras naturais. Assim, estas respostas dadas ao ambiente serão qualitativamente diferentes a partir do momento em que os condicionamentos naturais sejam, em mesma medida, distintos. Ou seja, a maneira como uma ameba interage com o ambiente a sua volta é, sem dúvidas, várias vezes mais estreita em relação à maneira como um chimpanzé reage à realidade em seu entorno. A razão para isto deve-se à radical diferença de cargas genéticas entre os dois seres citados.
A esfera social, no entanto, é capaz de reproduzir seres sociais que, independente da carga genética ser, em suas bases, a mesma em períodos históricos diferentes, as respostas dadas ao ambiente são tão mais diferentes quanto mais elevada for a forma de sociabilidade em que se encontrem suas consciências. A base natural para sociabilidades mais ou menos avançadas é a mesma. O que modifica é o maior ou menor afastamento das barreiras naturais que a forma de sociabilidade em questão conseguiu atingir. O devir-humano dos homens é, então, para Lukács, puramente social.
A outra diferença radical entre as duas esferas ontológicas põe-se no campo da constituição da distinção entre indivíduo e gênero. Ora, é sabido que, na esfera biológica há uma necessária diferenciação entre a história do indivíduo e a história do gênero. A morte do indivíduo não significará, por exemplo, a morte do gênero. Na esfera social a distinção se dá de forma análoga, porém com um salto qualitativo. O ser social é capaz de, elevando à sua consciência o fato de que sua história não se confunde com a história da totalidade social, perceber a distinção entre o particular e o genérico e, inclusive, optar por alternativas práticas que podem afastar ou aproximar a generalidade humana e a individualidade.
A elevação da sociabilidade necessariamente dará base a relações sociais mais complexas. Com isso é ineliminável deste processo a reflexa complexificação e articulação das individualidades. Esta segunda processualidade é, por si só, necessidade e conseqüência da primeira. Não existe, como se pode ver, o desenvolvimento do indivíduo fora do desenvolvimento do gênero. A consciência joga, neste momento, um papel fundamental na mediação entre indivíduo e gênero, sendo o nexo ontológico entre a complexificação da sociabilidade e a complexificação das individualidades. É ela o órgão e o médium da continuidade do processo de acumulação que constitui o devir-humano dos homens. Com isto, a medida em que há uma evolução da consciência genérico-humana, através da elevação de níveis de sociabilidade, há, também e reflexivamente, uma elevação da auto-consciência das individualidades. Permite-se assim o lançamento de bases objetivas e subjetivas para uma distinção entre a reprodução da individualidade e a reprodução do gênero humano cada vez mais visível. São, portanto, pólos de um mesmo processo a generalidade humana e a individualidade, intrinsecamente articuladas no que Lukács denomina de reprodução social.
Seguindo este raciocínio, chega-se ao questionamento de como se dá a reprodução de cada um desses pólos. Quais seriam, portanto, os nexos ontológicos que dariam início aos processos de socialização e individuação?
Para se reproduzirem, tanto enquanto indivíduos quanto gênero, os homens precisam modificar a realidade através de atos teleologicamente postos. Ao fazê-lo os seres humanos reproduzem a totalidade social e as particularidades que compõem o seu mundo. A substância social é a síntese dos atos singulares em totalidade social e em individualidades. Assim, a questão central a ser respondida é qual a processualidade da construção das individualidades e da totalidade social.
O fundamento ontológico da síntese que funda a totalidade social é o impulso generalizante da categoria do trabalho. Por meio deste impulso é articulado cada ato singular através do fluxo da práxis social. Esta generalização inerente ao trabalho, nódulo mais fundamental do mundo humano, é, assim, o elemento primário da síntese que constitui a totalidade social.
O segundo nexo que opera na síntese que funda a totalidade social é decorrência do anterior: é a contraditoriedade necessária entre elementos genéricos e particulares. Pelo trabalho a singularidade da situação concreta será generalizada em duas instâncias. Tanto quando é confrontada ao passado e ao futuro generalizando-se de forma subjetiva, quanto no momento em que se objetiva por todo ser social, de forma objetiva, quando é objetivada em produto do trabalho. Nota-se a articulação determinantemente reflexiva entre a singularidade e a universalidade no núcleo fundamental da reprodução social. Esta conexão reflexiva desdobra-se em outros níveis de contraditoriedade em proporção ao seu desenvolvimento. Assim, chega-se ao nível em que a processualidade social global, em seu movimento cotidiano põe o gênero humano frente a alternativas que o forçam a escolher entre as necessidades, interesses e valores genéricos, e as necessidades, interesses e valores particulares. Nas sociedades de classe, normalmente, essas opções se colocam no predomínio do interesse de uma classe sobre a totalidade.
Esta tensão entre genérico e particular é o fundamento ontológico, para Lukács, dos conflitos sociais. Sem a contradição entre os interesses particulares e os genéricos, que se dá por via da complexificação da contraditoriedade, como distinção, entre singularidade e universalidade inerente à categoria do trabalho não poderia haver conflitos sociais. Esta tensão é, também, o fundamento ontológico para que a humanidade eleve-se a níveis mais conscientes da contradição entre particular e genérico e desta sua contraposição específica. O conflito entre singularidade e universalidade é fundamental para a apreensão pela consciência da distinção entre individualidade e totalidade. Assim, a contradição entre indivíduo e gênero é fundamental para a percepção consciente pelos homens, do seu próprio ser genérico.
Esta contradição faz surgir a necessidade da identificação histórica de valores e interesses genéricos plasmados na totalidade social de forma visível para que sejam operacionais na processualidade social. São valores fundamentais em escala social à separação entre particular e universal, que, por sua vez, influencia decisivamente na identificação mais precisa dos interesses genéricos. Desta necessidade retira-se o fundamento ontológico para o direito, a moral, a tradição os costumes, a ética. Apesar de suas diferenças surgem todos para tornar mais visível aos homens a escolha, cada vez mais nítida, entre valores genéricos e particulares. Estas mediações necessárias ao cotidiano social constituem, desta forma, o terceiro nexo que opera na síntese que constitui o gênero enquanto totalidade social.
A ética, no entanto, possui uma diferença fundamental às outras mediações citadas. Sua atuação, no interior dos conflitos sociais, não visa, apenas, o seu controle em níveis de tolerância mínimos. Sua complexidade própria visa, na verdade, a superação da distinção entre necessidades, valores e interesses particulares e genéricos. Assim, ela exerce função distinta na sociabilidade burguesa. Esta, única sociabilidade puramente social, permite aos homens se reconhecerem como construtores da história, fundando uma nova necessidade ao colocar gênero e indivíduo como uma cisão presente na consciência. A necessidade da superação desta dicotomia, que só se dará com a construção de complexos sociais que a tornem cada vez mais visível e com atos teleologicamente postos com predominância de interesses genéricos. O gênero precisa, então, compreender o seu em-si, o que implica numa maior compreensão pelas individualidades de que elas são de caráter ineliminavelmente genérico. A elevação do gênero ao seu para-si se dará concomitante à elevação das individualidades ao seu caráter de individualidades autênticas, ou seja, genéricas. A elevação das individualidades cada vez mais complexas e articuladas é requerimento e possibilidade do processo que dá origem a formas de sociabilidade cada vez mais desenvolvidas.
Falta, contudo, a análise dos nexos que constituem a processualidade da formação das individualidades. Como veremos, os três nexos acima estão também presentes neste momento específico da reprodução social.
O primeiro nexo da individuação é, portanto, o impulso à generalização da categoria do trabalho. Assim, o desenvolvimento de formas de sociabilidade cada vez mais evoluídas é o fundamento ontológico da constituição de individualidades cada vez mais complexas ao longo da história. O movimento da totalidade do ser social é o momento predominante na elevação da singularidade humana em individualidade autêntica.
O segundo nexo parte da tensão entre genérico e particular. A vida cotidiana põe o indivíduo frente a situações que, graças a esta ineliminável tensão o forçam a escolher um ou outro valor, possibilitando ao indivíduo a consciência desta contradição, posta pelo fluxo da práxis social, entre a reprodução da individualidade e a reprodução da totalidade social. Isto impulsiona os seres à constituição do para-si de sua individualidade.
O terceiro nexo é composto pelos complexos sociais que permitem ao indivíduo assumir como seus os interesses sócio-genéricos. Aqui a ética joga um papel fundamental no processo de superação da contradição antinômica gênero/individualidade constituindo a autêntica individualidade social, a individualidade para-si.
Não há, portanto, individualidade fora da totalidade social, da mesma forma que não há ato singular senão no interior desta mesma. Ao mesmo tempo, a totalidade social são os atos singulares concretos em situações concretas. O elemento constitutivo da totalidade social é a síntese das individualidades. Por isto mesmo, sem individuação não há sociabilidade possível. Pois, enquanto constroem a si próprios os indivíduos constroem a totalidade, fazendo com que a individualidade e a sociabilidade só existam na medida em que se contraponham reflexivamente como pólos de um mesmo processo: a reprodução social.
Por fim, é de suma importância o alerta de que os três nexos que operam tanto na individuação, quanto da sociabilidade possuem raiz ontológica no trabalho. Além disto Lukács demonstra, assim como Marx, o papel central da consciência, da subjetividade, desde o trabalho até a mediação entre individuação e sociabilidade. Sem a subjetividade não seria, portanto, possível a reprodução social.
A consciência joga, assim, papel fundamental na construção da realidade social. A maior ou menor consciência, por parte do ser social, do seu em-si, modifica qualitativamente o seu agir. Assim, o papel da categoria da subjetividade inicia-se, para a formação do mundo humano, a partir da prévia-ideação indispensável ao trabalho. Contudo, esta não é de longe, sua participação final na construção da totalidade social. A sua atuação continua na constante e necessária distinção entre indivíduo e generalidade.
A esfera biológica pauta sua interação com o ambiente a partir de respostas estreitamente limitadas pelas barreiras naturais. Assim, estas respostas dadas ao ambiente serão qualitativamente diferentes a partir do momento em que os condicionamentos naturais sejam, em mesma medida, distintos. Ou seja, a maneira como uma ameba interage com o ambiente a sua volta é, sem dúvidas, várias vezes mais estreita em relação à maneira como um chimpanzé reage à realidade em seu entorno. A razão para isto deve-se à radical diferença de cargas genéticas entre os dois seres citados.
A esfera social, no entanto, é capaz de reproduzir seres sociais que, independente da carga genética ser, em suas bases, a mesma em períodos históricos diferentes, as respostas dadas ao ambiente são tão mais diferentes quanto mais elevada for a forma de sociabilidade em que se encontrem suas consciências. A base natural para sociabilidades mais ou menos avançadas é a mesma. O que modifica é o maior ou menor afastamento das barreiras naturais que a forma de sociabilidade em questão conseguiu atingir. O devir-humano dos homens é, então, para Lukács, puramente social.
A outra diferença radical entre as duas esferas ontológicas põe-se no campo da constituição da distinção entre indivíduo e gênero. Ora, é sabido que, na esfera biológica há uma necessária diferenciação entre a história do indivíduo e a história do gênero. A morte do indivíduo não significará, por exemplo, a morte do gênero. Na esfera social a distinção se dá de forma análoga, porém com um salto qualitativo. O ser social é capaz de, elevando à sua consciência o fato de que sua história não se confunde com a história da totalidade social, perceber a distinção entre o particular e o genérico e, inclusive, optar por alternativas práticas que podem afastar ou aproximar a generalidade humana e a individualidade.
A elevação da sociabilidade necessariamente dará base a relações sociais mais complexas. Com isso é ineliminável deste processo a reflexa complexificação e articulação das individualidades. Esta segunda processualidade é, por si só, necessidade e conseqüência da primeira. Não existe, como se pode ver, o desenvolvimento do indivíduo fora do desenvolvimento do gênero. A consciência joga, neste momento, um papel fundamental na mediação entre indivíduo e gênero, sendo o nexo ontológico entre a complexificação da sociabilidade e a complexificação das individualidades. É ela o órgão e o médium da continuidade do processo de acumulação que constitui o devir-humano dos homens. Com isto, a medida em que há uma evolução da consciência genérico-humana, através da elevação de níveis de sociabilidade, há, também e reflexivamente, uma elevação da auto-consciência das individualidades. Permite-se assim o lançamento de bases objetivas e subjetivas para uma distinção entre a reprodução da individualidade e a reprodução do gênero humano cada vez mais visível. São, portanto, pólos de um mesmo processo a generalidade humana e a individualidade, intrinsecamente articuladas no que Lukács denomina de reprodução social.
Seguindo este raciocínio, chega-se ao questionamento de como se dá a reprodução de cada um desses pólos. Quais seriam, portanto, os nexos ontológicos que dariam início aos processos de socialização e individuação?
Para se reproduzirem, tanto enquanto indivíduos quanto gênero, os homens precisam modificar a realidade através de atos teleologicamente postos. Ao fazê-lo os seres humanos reproduzem a totalidade social e as particularidades que compõem o seu mundo. A substância social é a síntese dos atos singulares em totalidade social e em individualidades. Assim, a questão central a ser respondida é qual a processualidade da construção das individualidades e da totalidade social.
O fundamento ontológico da síntese que funda a totalidade social é o impulso generalizante da categoria do trabalho. Por meio deste impulso é articulado cada ato singular através do fluxo da práxis social. Esta generalização inerente ao trabalho, nódulo mais fundamental do mundo humano, é, assim, o elemento primário da síntese que constitui a totalidade social.
O segundo nexo que opera na síntese que funda a totalidade social é decorrência do anterior: é a contraditoriedade necessária entre elementos genéricos e particulares. Pelo trabalho a singularidade da situação concreta será generalizada em duas instâncias. Tanto quando é confrontada ao passado e ao futuro generalizando-se de forma subjetiva, quanto no momento em que se objetiva por todo ser social, de forma objetiva, quando é objetivada em produto do trabalho. Nota-se a articulação determinantemente reflexiva entre a singularidade e a universalidade no núcleo fundamental da reprodução social. Esta conexão reflexiva desdobra-se em outros níveis de contraditoriedade em proporção ao seu desenvolvimento. Assim, chega-se ao nível em que a processualidade social global, em seu movimento cotidiano põe o gênero humano frente a alternativas que o forçam a escolher entre as necessidades, interesses e valores genéricos, e as necessidades, interesses e valores particulares. Nas sociedades de classe, normalmente, essas opções se colocam no predomínio do interesse de uma classe sobre a totalidade.
Esta tensão entre genérico e particular é o fundamento ontológico, para Lukács, dos conflitos sociais. Sem a contradição entre os interesses particulares e os genéricos, que se dá por via da complexificação da contraditoriedade, como distinção, entre singularidade e universalidade inerente à categoria do trabalho não poderia haver conflitos sociais. Esta tensão é, também, o fundamento ontológico para que a humanidade eleve-se a níveis mais conscientes da contradição entre particular e genérico e desta sua contraposição específica. O conflito entre singularidade e universalidade é fundamental para a apreensão pela consciência da distinção entre individualidade e totalidade. Assim, a contradição entre indivíduo e gênero é fundamental para a percepção consciente pelos homens, do seu próprio ser genérico.
Esta contradição faz surgir a necessidade da identificação histórica de valores e interesses genéricos plasmados na totalidade social de forma visível para que sejam operacionais na processualidade social. São valores fundamentais em escala social à separação entre particular e universal, que, por sua vez, influencia decisivamente na identificação mais precisa dos interesses genéricos. Desta necessidade retira-se o fundamento ontológico para o direito, a moral, a tradição os costumes, a ética. Apesar de suas diferenças surgem todos para tornar mais visível aos homens a escolha, cada vez mais nítida, entre valores genéricos e particulares. Estas mediações necessárias ao cotidiano social constituem, desta forma, o terceiro nexo que opera na síntese que constitui o gênero enquanto totalidade social.
A ética, no entanto, possui uma diferença fundamental às outras mediações citadas. Sua atuação, no interior dos conflitos sociais, não visa, apenas, o seu controle em níveis de tolerância mínimos. Sua complexidade própria visa, na verdade, a superação da distinção entre necessidades, valores e interesses particulares e genéricos. Assim, ela exerce função distinta na sociabilidade burguesa. Esta, única sociabilidade puramente social, permite aos homens se reconhecerem como construtores da história, fundando uma nova necessidade ao colocar gênero e indivíduo como uma cisão presente na consciência. A necessidade da superação desta dicotomia, que só se dará com a construção de complexos sociais que a tornem cada vez mais visível e com atos teleologicamente postos com predominância de interesses genéricos. O gênero precisa, então, compreender o seu em-si, o que implica numa maior compreensão pelas individualidades de que elas são de caráter ineliminavelmente genérico. A elevação do gênero ao seu para-si se dará concomitante à elevação das individualidades ao seu caráter de individualidades autênticas, ou seja, genéricas. A elevação das individualidades cada vez mais complexas e articuladas é requerimento e possibilidade do processo que dá origem a formas de sociabilidade cada vez mais desenvolvidas.
Falta, contudo, a análise dos nexos que constituem a processualidade da formação das individualidades. Como veremos, os três nexos acima estão também presentes neste momento específico da reprodução social.
O primeiro nexo da individuação é, portanto, o impulso à generalização da categoria do trabalho. Assim, o desenvolvimento de formas de sociabilidade cada vez mais evoluídas é o fundamento ontológico da constituição de individualidades cada vez mais complexas ao longo da história. O movimento da totalidade do ser social é o momento predominante na elevação da singularidade humana em individualidade autêntica.
O segundo nexo parte da tensão entre genérico e particular. A vida cotidiana põe o indivíduo frente a situações que, graças a esta ineliminável tensão o forçam a escolher um ou outro valor, possibilitando ao indivíduo a consciência desta contradição, posta pelo fluxo da práxis social, entre a reprodução da individualidade e a reprodução da totalidade social. Isto impulsiona os seres à constituição do para-si de sua individualidade.
O terceiro nexo é composto pelos complexos sociais que permitem ao indivíduo assumir como seus os interesses sócio-genéricos. Aqui a ética joga um papel fundamental no processo de superação da contradição antinômica gênero/individualidade constituindo a autêntica individualidade social, a individualidade para-si.
Não há, portanto, individualidade fora da totalidade social, da mesma forma que não há ato singular senão no interior desta mesma. Ao mesmo tempo, a totalidade social são os atos singulares concretos em situações concretas. O elemento constitutivo da totalidade social é a síntese das individualidades. Por isto mesmo, sem individuação não há sociabilidade possível. Pois, enquanto constroem a si próprios os indivíduos constroem a totalidade, fazendo com que a individualidade e a sociabilidade só existam na medida em que se contraponham reflexivamente como pólos de um mesmo processo: a reprodução social.
Por fim, é de suma importância o alerta de que os três nexos que operam tanto na individuação, quanto da sociabilidade possuem raiz ontológica no trabalho. Além disto Lukács demonstra, assim como Marx, o papel central da consciência, da subjetividade, desde o trabalho até a mediação entre individuação e sociabilidade. Sem a subjetividade não seria, portanto, possível a reprodução social.
Nenhum comentário:
Postar um comentário